quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Exclusão social e tecnológica



Segundo diversos autores de hoje, que seguem conceitos inicialmente defendidos por Marx, os excluídos sociais são aqueles que não fazem parte de todo o sistema industrial, urbanizado e produtivo da sociedade, que muitas vezes, é causado por alguma doença, seja física ou mental, falta de instrução ou alguma circunstância que o torne incapaz de suprir suas próprias necessidades.

Apesar de concordar com esta definição feita por Marx, Sartório também afirma que o excluído social não é apenas aquele que não faz parte do sistema produtor da sociedade, existem muitos outros excluídos socialmente.

Em resumo, a exclusão não diz apenas sobre a pobreza de certa parte da população. Tem a ver com estar fora de um determinado circuito onde todos estão classificados. A pobreza seria então, uma forma de exclusão social, onde teríamos também diversas outras formas de contrariar as convenções sociais existentes.

Nos tempos de adventos tecnológicos, surge uma classe diferente na sociedade, a sociedade da informação, onde pode-se encontrar os indivíduos que possuem vínculos com os avanços tecnológicos. Isso faz com que apareça então uma nova forma de exclusão, a exclusão digital, onde os excluídos são aqueles que não possuem o acesso de forma aprofundada às diversas tecnológicas existentes. 

Alguns autores defendem que a sociedade precisa se adaptar, como um todo, às mudanças tecnológicas para que se possa usufruir de todas as potencialidades que as mesmas podem fornecer. Contudo, fazer com que o excluído digital tenha acesso físico as tecnologias, não faz com que este saia de seu estado e passe a ser considerado incluído na porção que tenha acesso às mudanças tecnológicas. É necessário que o indivíduo passe a se relacionar com estas tecnologias de uma forma mais direta e utilize-as de forma organizada e produtiva em seu cotidiano.

Para a autora, o mundo digital tem dois lados, enquanto leva a exclusão social, também pode ser ferramenta transformadora. Assim, Sartório (2008) diz que a tecnologia para a mudança social, e não como objeto eletrônico para ser meramente utilizado, depende muito da determinação política, oferecendo assim, possibilidades aos indivíduos de serem sujeitos de suas histórias.
 
No âmbito educacional, as tecnologias são importantes ferramentas, porém ainda existem muitas escolas que não possuem disponibilidade e acesso a isso. Com essa realidade, muitos alunos e professores não exploram e nem aproveitam essa ferramenta.

Sartório, K.C. Exclusão social e tecnologia: os desafios da política pública de inclusão digital no Brasil. Universidade de Brasília: Brasília, 2008.

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